Fotografando Chico Buarque

Da extensa lista de ídolos que fotografei para o saudoso Almir Chediak estava Chico Buarque. Mas como fotografar um de meus maiores ídolos? Como tê-lo na minha frente, dirigi-lo e, por fim, ganhar a sua confiança para tirar dele o melhor?

De primeira, o Almir queria que eu fosse fotografar Chico na casa dele, no mesmo dia em que outros 3 fotógrafos o fariam. Porém, dessa forma, não conseguiria tempo nem qualidade para obter os 8 diferentes retratos do Chico para as capas dos 8 CDs que compunham seu songbook.

Então, insisti na idéia de levá-lo até meu estúdio. Como argumento final, e um quê de fã, confesso, ofereci a sessão sem nenhum custo. Sabia que era um argumento forte, dadas as condições em que o Almir sempre trabalhava: projetos de custo apertado, muita amizade e camaradagem. Essas sempre foram as tônicas em torno desse cara que resgatou o que há de melhor na música brasileira.

Chico estava gravando os CDs num estúdio a 300 metros do meu. Que sorte! No dia, encontrei com o Felipe Taborda (designer do projeto) e Almir no estúdio onde o Chico gravava. Foi uma sensação do outro mundo cruzar aqueles 300 metros no meio da rua conversando com meu ídolo!

Chico era e é tímido. Ainda mais num estúdio com uma câmera enorme apontada para ele. Coloquei-o sentado e enquadrei a câmera de forma que eu não precisasse olhar pelo visor. Assim, poderia ficar conversando enquanto clicava. Foram 10 rolos de filme sem olhar no visor.

E assim fotografei o Chico, de camiseta preta, e seu retrato gerou uma série de fotos que chamo de “Olhos claros sobre o negro”.

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